No 8 de Março, servidoras denunciam violências e desigualdades, e reforçam a luta e o chamado para combatê-las

(Fotos: Nando Neves)

As servidoras participaram nesta sexta-feira (8/3), no Centro do Rio, das manifestações pelo 8 de Março, Dia Internacional dos Direitos da Mulher. Na Central do Brasil e na passeata entre a Candelária e a Cinelândia, mulheres defenderam a democracia e denunciaram os vários tipos de violência que sofrem explícita e implicitamente no dia a dia. Entre elas o desrespeito ao vagão exclusivo no transporte público, a desigualdade salarial no mundo do trabalho e a não garantia dos direitos reprodutivos, fruto das dificuldades impostas pela saúde pública.

“A palavra é mulher! Aí não há igualdade! Nunca é igual ao homem. O homem sempre pode mais, a mulher sempre pode menos, nunca pode fazer ou ter nada igual. Então já está mais do que na hora de nós mulheres termos que lutar por nossos direitos e pela igualdade em questão ao lugar, à ocupação, ao trabalho, ao salário e ao comportamento”, disse Andreia Cristina, servidora do Ministério da Saúde e diretora do Sintrasef. “No serviço público é a mesma coisa, há desigualdade. Temos que fazer essa mudança pela igualdade. O Sintrasef pede que as servidoras participem da luta, as novas concursadas abracem o sindicato e se façam respeitar em seus lugares de trabalhos”, concluiu ela.

Durante toda a passeata as mulheres divulgaram recentes dados, muitos deles do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que mostram a grande diferença de gênero no país. O salário das mulheres é 22% menor do que o dos homens. No caso das mulheres negras a situação é ainda pior. A mulher negra recebe menos da metade (48%) de um colega homem branco desempenhando a mesma função. No caso da violência física de gênero, no Rio de Janeiro, as denúncias sobre estupro aumentaram em 134% nos últimos quatro anos, significando que a cada 24 horas oito mulheres são estupradas.

A violência médica e a falta de autonomia sobre o próprio corpo também foram denunciadas. Lembrando o exemplo da França, que acabou de colocar na constituição do país o direito ao aborto, a estudante Márcia Freitas, 25 anos, defendeu a legalização da interrupção da gravidez como “um direito que seja garantido e medicamente aplicado pelos serviços públicos de saúde, sem a interferência de religiosos e políticos conservadores, que criam obstáculos usados durante todo o processo clínico pelas enfermeiras, médicas e gestoras que estão ali supostamente em nome da ciência, da medicina e da saúde pública”.

 

Poder de fato

 

Para Clarice Chacon, representante da comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), outro dado que chama a atenção e explica a desigualdade de gênero no país é a pouca participação feminina na política, em locais que realmente mexam com a sociedade e o cotidiano de mulheres e homens. “Considerando a América Latina estamos nas últimas colocações em número de mulheres nos cargos políticos e eletivos. Na Câmara de Deputados só temos 17% de mulheres eleitas. No Senado, 18%. E ainda assim elas relatam 40% das propostas legislativas. No Rio, são apenas 10 vereadoras para o total de 51 parlamentares. E essa diferença nós observamos nos assuntos que são tratados, por exemplo, temas como dignidade menstrual não vão ser tratados com facilidade. Então é mais do que preciso mudar esse quadro”, afirmou ela.

 

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